Leishmaniose canina: como evitar e tratar a doença

Leishmaniose canina: como evitar e tratar a doença

Neste artigo vamos te ajudar a entender melhor sobre como funciona a doença e seus principais riscos, além de dicas de como prevenir a leishmaniose canina
Cachorro sendo examinado pelo médico

A leishmaniose visceral é uma doença zoonótica que pode acometer humanos, cães, gatos entre diversas espécies silvestres e domésticas. É uma doença causada pelo protozoário Leishmania infantum chagasi, o principal culpado pela endemia no Brasil.

Ele é transmitido por meio da picada de flebotomíneos hematófagos infectados por mosquitos fêmeas que, ao picar um humano ou animal infectado para se alimentar, também se tornam infectados.

Esses insetos são muito importantes na manutenção do ciclo da doença, pois é dentro dele que grande parte do ciclo biológico do protozoário acontece, se tornando infectante e causador de doença no próximo hospedeiro que o mosquito se alimentar.

Por isso, o cuidado com a doença deve começar com a limpeza de toda a casa, principalmente por onde vive o cachorro. Além disso, hoje já existe a vacina contra a leishmaniose visceral canina, logo, é muito importante vacinal e proteger o animal.

Tutores que vivem em áreas abertas, como fazendas e campos, precisam ter ainda mais cuidado com a doença, pois geralmente esses ambientes são os preferidos do protozoário transmissor.

Neste artigo nós vamos te ajudar a entender melhor sobre como funciona a doença e quais são seus principais riscos. Além disso, vamos dar dicas de como prevenir a leishmaniose canina, pois a prevenção é o melhor método para combater a doença. É importante lembrar que não existe cura para a leishmaniose, apenas alguns tratamentos que ajudam o animal a viver mais tempo. Acompanhe até o final. 

A leishmaniose visceral canina e os seus sintomas

Como falamos no início do texto, a leishmaniose é uma doença zoonótica grave que atinge os animais e também os humanos. No entanto, os principais atingidos pela doenças são os cães. Mas no Brasil, de acordo com os dados do Ministério da Saúde, desde 2000, a leishmaniose já matou 2.609 pessoas em todo o país. Por isso, cuidar da prevenção da doença não protege apenas os seus pets, como também toda a sua família. Acompanhe!

É importante ressaltar que não há predisposição genética, racial ou sexual comprovadamente relacionada à doença. Ou seja, qualquer animal pode ser infectado e sua manifestação clínica é variável e inespecífica, o que torna a doença disseminada e de difícil diagnóstico clínico.

A Leishmaniose pode causar diversas alterações clínicas cardiorrespiratórias, gênito-urinárias, locomotoras, oftálmicas e no sistema nervoso. Por isso, o diagnóstico da doença requer uma bateria de exames feitas em um clínica veterinária por um profissional habilitado.

No entanto, as manifestações dermatológicas são as mais comuns e mais facilmente reconhecidas, logo, elas ajudam os tutores e o veterinário a identificarem a doença no cachorro. Os principais sintomas dermatológicos são:  perda de pêlo, feridas que não cicatrizam, crescimento exagerado das unhas e dermatites.

Além disso, pode ocorrer perda de peso progressivo, inapetência, diarréia e vômitos, dor articular, problemas oftálmicos e quadros hemorrágicos. Caso note esses sinais, leve o pet ao veterinário e relate todos os sintomas que você identificou no cãozinho.

Hoje no Brasil, há três categorias diagnósticas para Leishmaniose visceral canina e nenhuma delas é considerada 100% sensível e específica, sendo necessário um conjunto de exames positivos para o diagnóstico final, que o médico veterinário irá indicar de acordo com os aspectos clínico-laboratoriais apresentados pelo animal naquele momento.

Os exames mais comuns para diagnóstico são os testes sorológicos, PCR e citologia de linfonodos e medula óssea, além de também ser necessário realizar exames hematológicos e de imagem para avaliar o grau de acometimento do animal pela doença.

Existe tratamento para a leishmaniose visceral canina?

Até alguns anos atrás, a única solução para a leishmaniose nos cães era a eutanásia. No entanto, a ciência vem avançando consideravelmente e hoje já existem medicamentos e tratamentos para auxiliar os cães a lutarem com a doença.

No entanto, o tratamento vai depender do animal e também dos resultados dos exames. Assim o médico veterinário definirá um estadiamento da doença e baseado nele, vai indicar o melhor protocolo para o animal afetado.

O tratamento é multimodal, ou seja, se realiza associações de fármacos para controle da doença, mas também é importante realizar o tratamento dos sinais causados pelo protozoário, pois causam desconforto ao paciente.

Mas no geral, o tratamento para a leishmaniose é feito com uma mudança na dieta,  combinação de anti-inflamatórios e tratamentos com homeopáticos. Mas alguns cães acabam sofrendo mais com a doença e só conseguem apresentar melhoras com medicamentos específicos, como o Milteforan.

O medicamento tem um valor alto e só pode ser prescrito por um médico veterinário. Logo, é importante não tentar automedicar ou cuidar do animal em casa.

Como evitar a leishmaniose visceral canina

No contexto da saúde pública brasileira, o controle e prevenção da doença é de extrema importância e a abordagem multimodal é a mais indicada. Logo, a melhor maneira de lidar com a doença é por meio da prevenção, pois como dito anteriormente, a doença não tem cura e o tratamento é bastante longo.

A melhor solução para o controle da leishmaniose, é utilizar em combinação, uma proteção externa contra o vetor, como repelentes/inseticidas, e uma proteção interna, com o uso de vacina contra o parasita. 

Logo, os tutores devem cuidar do ambiente, tirando madeiras do quintal, restos de folhagens e também a água parada. O cuidado pode ser bem parecido com o que é tomado para a prevenção do mosquito da dengue.

Além do uso de repelentes, existem coleiras que protegem o animal do parasita que transmite a leishmaniose. Lavar as vasilhas e o ambiente onde o animal vive e dorme também é importante.

Os animais com diagnóstico positivo para Leishmania podem ser tratados e devem utilizar produtos repelentes, além de realizar o tratamento correto com o médico veterinário. A Leishmaniose canina visceral não tem cura, mas com os devidos cuidados e acompanhamento veterinário recorrente, o animal infectado vive bem e com qualidade de vida, sem se tornar risco a saúde de outros.

Mas se o seu cãozinho foi infectado pela doença, tenha calma. Como dito antes, existem muitas possibilidades de tratamento, logo a eutanásia não será uma opção. Mas é importante que após o diagnóstico, a família tenha em mente que o cãozinho pode partir a qualquer momento, pois muitos não conseguem reagir ao tratamento e a expectativa de vida acaba sendo reduzida. Invista na prevenção e garanta sempre o bem-estar do seu animal.