Anemia em cães

Talvez você nem saiba, mas o seu cão pode estar com anemia! Conheça mais sobre essa complicação como causas, sintomas, tratamento, prevenção e mais. Saiba mais aqui!
Cachorro triste com anemia

Se o seu cão anda cabisbaixo, sem energia e desanimado para fazer qualquer coisa, isso é um sinal de alerta para uma possível anemia.

A anemia é a redução do número das células vermelhas no sangue. O sangue contém células vermelhas e brancas, com função de nutrir, oxigenar e defender o organismo contra agentes externos e internos. Um baixo volume sanguíneo implica na má funcionalidade dos sistemas cardiopulmonar, renal, urinário, hepático, cerebral e demais órgãos do corpo.

As hemácias, que são as células vermelhas do sangue, são proteínas de suma importância para a oxigenação dos tecidos e órgãos. Existem alguns valores utilizados como referência para avaliar o quantitativo de células vermelhas em cães para diferenciação e análise hematológica. Em um cachorro, a média é 5,5 a 8 milhões de hemácias. Quando há baixa produção, inferior a 5,5 milhões, é identificada a anemia em cães.

Causas da anemia em cães

A existência da anemia é sempre associada à alimentação fraca em ferro, porém condições inflamatórias também contribuem com a diminuição da produção das hemácias e consequente começo da anemia.

Uma dieta rica em nutrientes do complexo B e ácido fólico estimula e defende desta supressão. É necessário estar ciente da importância em alimentar os animais considerando as necessidades nutricionais de cada espécie e faixa etária, que requer cuidados específicos desde animais recém nascidos até o animal idoso.

A anemia é consequência de uma patologia preexistente. O desenvolvimento do quadro anêmico decorre de insuficiência na produção dos eritrócitos, as células da série vermelha do sangue. A eritropoese é o mecanismo para a diferenciação e maturação das células-tronco que através da estimulação por citocinas e ambiente rico em ferro, aminoácidos e oxigênio é mantida a gênese celular.

No entanto, na ausência de um de todos os fatores apresentados, não há eritrócitos suficientes para manter o equilíbrio e o bom funcionamento do organismo.

Condições patológicas como aplasia medular e massa tumoral, pode desencadear anemia em virtude da inapetência para produzir as células e processo inflamatório gerado e liberação de substâncias (citocinas) sequestradoras ou inibidoras do reaproveitamento do ferro contido nas células do sangue.

Leucemias, mieloma, linfoma são distúrbios de medula óssea e podem contribuir também para o aparecimento da anemia.

Infestação de carrapatos, ou hemoparasitas, ainda é considerada o fator prioritário para a causa da anemia em cachorros. Alimentam-se do sangue de seu hospedeiro, e se for consumido em grande quantidade, compromete a estabilidade do animal, podendo levá-lo a morte. As pulgas são responsáveis por causar anemia ferropriva.

O uso inadequado de medicamentos leva a restrição da absorção do ferro administrado por via parenteral ou dietética. Para evitar tais complicações, não dê medicamentos para o seu animal uso sem orientação médica. Cada remédio tem suas contraindicações, reações adversas e para associar é necessário ter conhecimento da sua composição e possível reação no organismo.

Aplicação de medicamento contraceptivo causam hipoplasia ou aplasia medular, devendo ser suspensa a sua utilização, principalmente por gerar tumor que também participa da extensão da anemia.

Tipos de anemia

A anemia pode ser regenerativa ou não regenerativa. A primeira diz respeito ao funcionamento normal da medula óssea. No caso da anemia regenerativa há perda de sangue internamente ou externamente, mas a fabricação das hemácias permanece.

A anemia não regenerativa condiz com as situações em que a medula não apresenta capacidade para sustentar sua eficiência produtiva. As células-tronco não se diferenciam e não há lançamento de novas células vermelhas na corrente sanguínea.

Um doença renal crônica estimula a anemia não regenerativa, devido ao declínio de hemácias no sague. A anemia hemolítica se enquadra neste tipo nas primeiras 96 horas.

O posicionamento dos tipos de anemia é classificado conforme os percentuais: grave (< 18%), moderada (18% a 29%) e discreta (30% a 36%). Na anemia ferropriva, os níveis de ferro estão reduzidos. Os músculos são oxigenados pela mioglobina e isto permite a realização de contrações. Com o nível ferroso reduzido, há limitação nas sinapses neurais e musculares, causando dano neurológico. Exames como o teste ELISA determina a competência da ferritina, já que alguns cães podem apresentar normalidade do ferro e mesmo assim estarem anêmico.

A anemia hemolítica imunomediada é uma reação que acomete as proteínas próprias do corpo. As células de defesa são os anticorpos, atuam contra antígenos endógeno e exógeno que interfere a normalidade do meio.

Porém, a impossibilidade de reconhecer células próprias e estranhas faz com que as imunoglobulinas destruam as hemácias e também a hemoglobina resultando na hemólise. Doença autoimune em geral é idiopática, tornando difícil o seu tratamento e recuperação total do animal.

Sintomas da anemia em cachorros

A sintomatologia envolve a doença primária e a anemia causada por esta. As hemácias têm a função de transportar oxigênio para todo o corpo, reação fundamental para ter energia e garantir o funcionamento das funções vitais dos órgãos do animal. Dessa forma, a apatia e indisposição são alguns dos quadros observados na anemia.

Durante a avaliação de um animal anêmico, suas mucosas apresentam palidez. Os cães saudáveis têm a região gengival rosada e ao pressionar percebe-se o preenchimento capilar acontecer em poucos segundos.

Contrário a isto, a gengiva fica sem cor ou com uma aparência amarelada e demanda maior tempo para preenchimento dos vasos após ser pressionado. Em toda a extensão da pele e na barriga podem ser observadas petéquias, causadas por leves hemorragias subcutâneas. Mucosas ictéricas – a gengiva, olhos, pele ficam amareladas – em decorrência da disfunção hepática. A hepatomegalia (fígado aumentado) é um achado quando o animal está anêmico.

Gengiva de um cachorro com anemia
A gengiva de um cachorro com anemia fica pálida ou com um aspecto amarelado

Na desidratação, a anemia pode ser mascarada. É necessário averiguar a retração do globo ocular – fica bastante profundo, numa gravidade quase não se percebe a presença do olho – semblante triste do animal e pelagem áspera.

A busca pela ingestão de materiais comum ou incomum é consequência do transtorno alimentar desenvolvido em quadro de anemia. Em casos mais graves, nota-se hipotermia e decorrente morte.

Tratamento da anemia canina

Determinar a causa originária da anemia é o primeiro passo, e correlacionado a este, aliviar os sintomas com a reposição de nutrientes. Vitaminas e mineral – vitamina B e ácido fólico – são alternativas que apresentam resultados consideráveis por restabelecer a energia corporal do organismo e potencializar a absorção alimentar, principalmente quando a doença for idiopática.

Quando o volume sanguíneo está muito abaixo, é indicada a transfusão sanguínea. Após selecionar um doador compatível é calculada a quantidade de sangue a ser transferida ao receptor e com um tempo pré-definido é realizado o procedimento.

Se for diagnosticado o sequestro de hemácias pelo baço, a esplenectomia (remoção cirúrgica do órgão) é feita dentro das condições viáveis para o paciente canino. Esta não é uma medida isolada, devendo ser associada com outras formas de tratamento (nutrição e transfusão de sangue).

A administração de eritropoetina corrobora com a energização do corpo, por ser um hormônio produzido pelos rins, sua utilização deve ser feita com muito cuidado, é perigoso gerar nefrotoxicidade.

Como prevenir

Conhecer a rotina exata do animal e ter conhecimento da condição e predisposição de cada raça de cachorro, facilita para identificar situações incomuns de comportamento e hábitos.

Além disso, muitas doenças e complicações não apresentam sintomas aparentes e por isso o seu diagnóstico é mais difícil, dificultando o tratamento precoce. No caso da anemia em cães, somente com exames específicos, como o hemograma,ajudam a monitorar a saúde do animal e evitar o surgimento de causas da anemia.

Alimentação balanceada e rica em nutrientes essenciais a vida e bem-estar do animal é um meio de prevenir a manifestação de patologias que levam à anemia. Algumas suplementações são precisas para complementar à dieta. Assim como, hidratação por consumo de água limpa e fresca.

O estado emocional do animal é coadjuvante em sua condição de saúde. É cientificamente comprovada sua ação sobre o sistema imunológico, barreira protetora contra antígenos, autores para a chegada de algumas doenças.

Manter a vacinação e vermifugação em dia para imunizar contra infestações virais, bacteriana e controlar infestações por parasitas também são ações de extrema importância para a prevenção da anemia.